Aqui dentro

Nem todos os dias são de alegria, nem todos os dias são de sorrisos.
A vida nem sempre é cor-de-rosa e tem dia que a gente fica meio deprê.
Não é do meu natural estar “mais pra lá do que pra cá“.
Mas tem dia que é exceção.
Não tem problema.
Um dia de ficar quietinha no cantinho é tudo que preciso.
Um café, talvez um chocolate para adoçar o coração.
Amanhã o Sol está aí e a menina sorridente que existe em mim estará de volta.
Mas hoje eu vou ficar aqui dentro um pouquinho.
Sozinha um pouquinho.
Quietinha um pouquinho.
Curtir esse momento só meu um pouquinho.
Eu gosto da minha companhia.
Ainda que pareça triste, não é.
A vida tem dessas.
Esses dias mais solitários fazem parte da gente e é preciso aprender a desfrutá-los.
Pois até esses dias, de um modo diferente, também têm sua beleza.

Foto autoral – Costão do Paranambuco – São Paulo/2013.

Leia também

O homem é livre para fazer o que quer, mas não para querer o que quer

Der Mensch kann zwar tun, was er will,

aber er kann nicht wollen, was er will.

Arthur Schopenhauer

Muito se fala sobre a tal da liberdade. Não há quem não a deseje. Desde crianças aprendemos a noção do que é ou não ser livre, nem que seja por querer comer um doce antes do jantar. Crescemos e continuamos a perseguindo incansavelmente, mas até onde realmente existe o livre arbítrio do querer?

Você já se apaixonou? Você já se endividou? Você já perdeu alguém? Você já ficou doente?

Não há como evitar que essas coisas aconteçam, assim como não dá para evitar os sentimentos que vem com essas situações. O que você, não só pode, como deve é escolher a melhor maneira para lidar com eles. Concorda que existem milhares de possibilidades de se sair do ponto A e chegar ao ponto B? Às vezes, o apaixonado não acha que deve ficar com a pessoa por quem se apaixonou e então ele contorna seu caminho para superar e seguir em frente, o que não muda o fato de que ele se apaixonou em algum momento.

A liberdade genuína é uma ilusão, seus sentimentos nascem de acordo com as situações em que a vida te coloca. Ou por decisões e influências de terceiros ao seu redor, ou por ocorrências naturais da própria vida mesmo. Mas essa ilusão pode ser uma ilusão doce, se assim você desejar. Lembra daquele papinho do departamento de RH sobre resiliência? É mais ou menos por aí, você aprende a se adaptar e a dançar conforme a música para contornar seu caminho e chegar onde almeja.

Somos seres racionais e a grande vantagem sobre isso é que sempre teremos a opção da escolha. Não dá para escolher não sentir, mas você sempre pode escolher o que fazer em relação ao que você sente.

Leia também

hakuna matata

E quem nunca ouviu a famosa expressão hakuna hatata apresentada pelos queridinhos Timão e Pumba?

Hakuna matata significa, literalmente, “sem problemas“, no idioma suaíli (língua falada na África oriental). E apesar do nosso amiguinho Timão ser um tanto radical em suas explicações, eu, particularmente, acho lindo o significado da expressão quando aplicado corretamente. Inclusive acho que deveríamos aderir como uma filosofia de vida mesmo.

Você precisa aprender com seus problemas e seguir em frente. Às vezes, simplesmente empacamos em certas situações, nos prendemos a coisas bobas que nos impedem de evoluir ou, até mesmo, de ser feliz, e a troco de que? Quanto mais cedo aprendermos a relaxar e esquecer um pouco os problemas, dar um tempo mesmo para sua cabeça esfriar, acredito que melhor viveremos.

Não é fugir dos problemas, é focar no que vale a pena e não encher sua cabeça com o que não te acrescenta. Saber a hora de virar a página é fundamental. E, lógico, nos dar as pausas que precisarmos ao longo do percurso. Afinal, merecemos, não é mesmo?

Não leve tudo tão a sério, saiba a hora de respirar e mais hakuna matata na sua vida! 🙂

Leia também

É preciso falar sobre relações tóxicas

Eu, particularmente, sou uma pessoa que prefere ir de contra partida aos males da vida falando sobre o amor, sobre o bem. Ao invés de focar nos defeitos da sociedade, focar nas qualidades que temos ou que poderemos adquirir se nos direcionarmos para o caminho da luz. Mas existem alguns tópicos que precisam ser abordados mais diretamente.

Algo que tenho aprendido ultimamente é que tudo que causa desconforto as pessoas decidiram rotular como chato ou “politicamente correto demais”. A verdade é que não importa se é chato, tem coisa que precisa ser falada, porque justamente esse bloqueio com tais assuntos é o que faz com que eles ainda sejam um problema tão grande assim. E sinceramente? Se está causando tanto desconforto é porque não é exagero.

Ao contrário do que muita gente associa quando ouve o termo “relação tóxica”, MUITAS vezes não é sobre relacionamento amoroso. Pode ser relacionamento familiar, profissional ou entre amigos. Existe muito tabu e muito preconceito acerca deste tópico e eu acho até difícil de entrar no tema. Pensei bastante antes de resolver falar sobre isso, mas como acredito que quanto mais discussão aberta existir, melhores as chances de causar alguma mudança, senta que lá vem história.

A pessoa tóxica não necessariamente é aquela que todo mundo bate o olho e já percebe que não tem filtro e sai por aí colocando para baixo quem cruzar seu caminho. Dessa eu diria que é até fácil de escapar. O problema está naquela que é um amor, que você vive momentos maravilhosos com ela e que você nunca imagina que um dia poderia vir a te causar algum mal. É ainda mais complicado quando o relacionamento não é amoroso (claro, na minha opinião), porque a grande verdade é que todos nós temos certos degraus até nos abrirmos realmente para alguém. Mas quando se trata de amizades eu acho que somos muito mais abertos e é onde acabamos permitindo mais facilmente que essas pessoas entrem na nossa vida.

Outro ponto extremamente complicado é que nem sempre a pessoa que te puxa para baixo é má ou está fazendo de propósito. Às vezes a pessoa nem percebe o que te fez, está atolada nos seus próprios montes de problemas e complicações. E é muito difícil tomar uma atitude. Mas, eu aprendi que não importa o quanto você queira ajudar, tem coisa que simplesmente não cabe a você. Até mesmo porque, como você vai ajudar alguém se a situação está te consumindo por inteiro? Para ajudar você precisa estar bem também. Você não precisa, aliás não deve, se sentir culpado por se afastar de alguém se essa pessoa está te fazendo mal. A sua saúde mental SEMPRE deverá ser sua prioridade.

Eu entendo o quanto isso pode ser difícil, às vezes você conhece alguém há anos e você sabe que a pessoa é maravilhosa e, de repente, tudo muda. Talvez, por causa de um problema, de um trauma, de uma situação específica, a pessoa muda. Ela entra em uma frequência diferente da sua e, às vezes, você não vai conseguir acompanhá-la.

Se o seu amigo está com problemas psicológicos ou algo do tipo, você pode sim ajudar dando seu apoio, mas dentro daquilo que respeite os seus limites e a relação continue saudável para você. Porque caso o contrário você não estará ajudando seu amigo e ainda estará se auto prejudicando. Problemas psicológicos precisam ser tratados com profissionais, se você não deu conta de “curar” seu amigo, a culpa NÃO É SUA. Você não é psicólogo, psiquiatra e muito menos Deus, essa responsabilidade não é sua. A única coisa que você pode fazer é aconselhar o outro a procurar ajuda profissional.

Quando você está dentro de uma relação assim, por mais racional que você seja, você pode se sentir preso e não conseguir enxergar como sair. Ou até se sentir mal por querer se afastar de alguém que parece “precisar” de você. Por isso é tão importante buscar ajuda, principalmente profissional, mas também buscar diálogo com gente que você confie e que esteja de fora da situação. Nunca se sinta responsável pelo problema do outro, porque tem gente que está afundando e te afunda junto. Eu não estou falando sobre ser egoísta, mas de reconhecer que existem limites. Limites que quando não respeitados podem prejudicar a todos os envolvidos.

Acho que uma das lições mais difíceis da vida é aprender que não é errado se afastar de quem não te faz bem, seja porque a pessoa não é compatível com sua frequência, seja porque ela tem problemas com os quais você não consegue lidar, seja por qualquer razão que te tire da sua essência. Jogue limpo com as pessoas ao seu redor, trabalhe com a verdade, busque a paz para o seu coração SEMPRE e jamais se condene por isso

Nota - Meu foco aqui foi de falar, principalmente, sobre amizades em que um está fazendo
mal para o outro, não necessariamente por maldade, mas por falta de
entendimento dos próprios conflitos internos.
Optei por isso pois é o tópico em que me sinto mais a vontade para falar,
principalmente, por já ter vivenciado situações parecidas em que me vi
totalmente perdida. E se você já viveu ou vive hoje algo assim, talvez venha a
encontrar um pouco de conforto. Mas é claro que existem vários tipos de
relações tóxicas, inclusive  e infelizmente, relações em que há abuso de
diversos aspectos e em que os problemas gerados por elas são ainda mais
catastróficos.
Qualquer que seja o seu caso, a ajuda profissional é a que você deve procurar!

Leia também

Sobre conquistar o que já foi conquistado

Essa semana que passou foi uma semana um tanto complicada, não foi? Ou será que fui eu que me deixei levar pelas loucuras que têm acontecido?

Não sei, mas me pego divagando às vezes e saio atrás de conversas que me tragam de volta para o chão e para a sanidade. Sei que não falta gente boa no mundo, mas tem dias que precisamos delas mais de perto.

Eu não acho que vivo em uma bolha, mas vai ver que vivo. Pois ainda me choco quando vejo certas notícias. Estamos em pleno 2020 e o ser humano continua repetindo os mesmos erros absurdos que contradizem os mais básicos direitos humanos. Como isso acontece? O “excesso” de realidade jogado nas nossas caras todos os dias deveriam nos fazer melhores, não piores, certo? Será que é a falta de esperança que levam essas pessoas a continuarem a seguir por esses caminhos? Será que é algum tipo de problema mesmo?

Eu sinceramente não entendo. Tantos livros e aulas de história, tanta tecnologia e informação. Como podemos não estar aprendendo? Como podemos não evoluir? Como podemos continuar repetindo incansavelmente os mesmos erros?

Outro dia, assistindo a série Anne with an E (que aliás, recomendo, é linda!), fiquei tão feliz com o pensamento daquela garota, tão jovem e tão a frente de seu tempo não aceitando as limitações e as podas feitas pela sociedade da época e indo atrás de seus direitos, os conquistando aos poucos. Fazendo pequenas diferenças em seu universo e a sensação de progresso enchendo nossos corações.

Mas aí eu parei para pensar, a série se passa no final da década de 1890. Hoje, em 2020, temos que gritar pelos mesmos motivos que aquela garotinha. Não estou dizendo que não conquistamos nada de lá para cá. Conquistamos muito!!! Mas parece que temos que ficar repetindo todo dia, porque sempre tem alguém que esquece e vêm cheios de ideais totalmente retrógrados. E se deixarmos, nos levam para baixo de novo, nos fazem voltar à estaca zero.

Não nos deixaremos levar nunca e continuaremos gritando até o fim, pois o bem, o amor, o certo (ou como você preferir chamar), sempre valerá o esforço. Eu só vim aqui desabafar, porque eu preciso confessar que, às vezes, é cansativo, sabe? Às vezes, só por um dia ou dois, eu queria que as pessoas lembrassem sozinhas e nós não precisássemos gritar novamente. Eu queria ir para o próximo passo, sem ter que ficar repetindo o anterior. Ir para frente somente. Para mim é tão óbvio, é tão fácil! Por que será que tem tanta gente tentando dificultar nossos caminhos, não é? Eu fico tão feliz quando posso facilitar a vida de alguém de alguma maneira… Será que sou muito sonhadora?

Eu espero que você esteja junto comigo nessa luta e te desejo muita paz no coração sempre, mas principalmente para esses dias mais longos e mais tristes que o normal. De qualquer maneira, já dizia Renato Russo, “espera que o sol já vem” e então, com ele, nossa energia renovada para começar tudo de novo!

Leia também