Aqui dentro

Nem todos os dias são de alegria, nem todos os dias são de sorrisos.
A vida nem sempre é cor-de-rosa e tem dia que a gente fica meio deprê.
Não é do meu natural estar “mais pra lá do que pra cá“.
Mas tem dia que é exceção.
Não tem problema.
Um dia de ficar quietinha no cantinho é tudo que preciso.
Um café, talvez um chocolate para adoçar o coração.
Amanhã o Sol está aí e a menina sorridente que existe em mim estará de volta.
Mas hoje eu vou ficar aqui dentro um pouquinho.
Sozinha um pouquinho.
Quietinha um pouquinho.
Curtir esse momento só meu um pouquinho.
Eu gosto da minha companhia.
Ainda que pareça triste, não é.
A vida tem dessas.
Esses dias mais solitários fazem parte da gente e é preciso aprender a desfrutá-los.
Pois até esses dias, de um modo diferente, também têm sua beleza.

Foto autoral – Costão do Paranambuco – São Paulo/2013.

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É preciso falar sobre relações tóxicas

Eu, particularmente, sou uma pessoa que prefere ir de contra partida aos males da vida falando sobre o amor, sobre o bem. Ao invés de focar nos defeitos da sociedade, focar nas qualidades que temos ou que poderemos adquirir se nos direcionarmos para o caminho da luz. Mas existem alguns tópicos que precisam ser abordados mais diretamente.

Algo que tenho aprendido ultimamente é que tudo que causa desconforto as pessoas decidiram rotular como chato ou “politicamente correto demais”. A verdade é que não importa se é chato, tem coisa que precisa ser falada, porque justamente esse bloqueio com tais assuntos é o que faz com que eles ainda sejam um problema tão grande assim. E sinceramente? Se está causando tanto desconforto é porque não é exagero.

Ao contrário do que muita gente associa quando ouve o termo “relação tóxica”, MUITAS vezes não é sobre relacionamento amoroso. Pode ser relacionamento familiar, profissional ou entre amigos. Existe muito tabu e muito preconceito acerca deste tópico e eu acho até difícil de entrar no tema. Pensei bastante antes de resolver falar sobre isso, mas como acredito que quanto mais discussão aberta existir, melhores as chances de causar alguma mudança, senta que lá vem história.

A pessoa tóxica não necessariamente é aquela que todo mundo bate o olho e já percebe que não tem filtro e sai por aí colocando para baixo quem cruzar seu caminho. Dessa eu diria que é até fácil de escapar. O problema está naquela que é um amor, que você vive momentos maravilhosos com ela e que você nunca imagina que um dia poderia vir a te causar algum mal. É ainda mais complicado quando o relacionamento não é amoroso (claro, na minha opinião), porque a grande verdade é que todos nós temos certos degraus até nos abrirmos realmente para alguém. Mas quando se trata de amizades eu acho que somos muito mais abertos e é onde acabamos permitindo mais facilmente que essas pessoas entrem na nossa vida.

Outro ponto extremamente complicado é que nem sempre a pessoa que te puxa para baixo é má ou está fazendo de propósito. Às vezes a pessoa nem percebe o que te fez, está atolada nos seus próprios montes de problemas e complicações. E é muito difícil tomar uma atitude. Mas, eu aprendi que não importa o quanto você queira ajudar, tem coisa que simplesmente não cabe a você. Até mesmo porque, como você vai ajudar alguém se a situação está te consumindo por inteiro? Para ajudar você precisa estar bem também. Você não precisa, aliás não deve, se sentir culpado por se afastar de alguém se essa pessoa está te fazendo mal. A sua saúde mental SEMPRE deverá ser sua prioridade.

Eu entendo o quanto isso pode ser difícil, às vezes você conhece alguém há anos e você sabe que a pessoa é maravilhosa e, de repente, tudo muda. Talvez, por causa de um problema, de um trauma, de uma situação específica, a pessoa muda. Ela entra em uma frequência diferente da sua e, às vezes, você não vai conseguir acompanhá-la.

Se o seu amigo está com problemas psicológicos ou algo do tipo, você pode sim ajudar dando seu apoio, mas dentro daquilo que respeite os seus limites e a relação continue saudável para você. Porque caso o contrário você não estará ajudando seu amigo e ainda estará se auto prejudicando. Problemas psicológicos precisam ser tratados com profissionais, se você não deu conta de “curar” seu amigo, a culpa NÃO É SUA. Você não é psicólogo, psiquiatra e muito menos Deus, essa responsabilidade não é sua. A única coisa que você pode fazer é aconselhar o outro a procurar ajuda profissional.

Quando você está dentro de uma relação assim, por mais racional que você seja, você pode se sentir preso e não conseguir enxergar como sair. Ou até se sentir mal por querer se afastar de alguém que parece “precisar” de você. Por isso é tão importante buscar ajuda, principalmente profissional, mas também buscar diálogo com gente que você confie e que esteja de fora da situação. Nunca se sinta responsável pelo problema do outro, porque tem gente que está afundando e te afunda junto. Eu não estou falando sobre ser egoísta, mas de reconhecer que existem limites. Limites que quando não respeitados podem prejudicar a todos os envolvidos.

Acho que uma das lições mais difíceis da vida é aprender que não é errado se afastar de quem não te faz bem, seja porque a pessoa não é compatível com sua frequência, seja porque ela tem problemas com os quais você não consegue lidar, seja por qualquer razão que te tire da sua essência. Jogue limpo com as pessoas ao seu redor, trabalhe com a verdade, busque a paz para o seu coração SEMPRE e jamais se condene por isso

Nota - Meu foco aqui foi de falar, principalmente, sobre amizades em que um está fazendo
mal para o outro, não necessariamente por maldade, mas por falta de
entendimento dos próprios conflitos internos.
Optei por isso pois é o tópico em que me sinto mais a vontade para falar,
principalmente, por já ter vivenciado situações parecidas em que me vi
totalmente perdida. E se você já viveu ou vive hoje algo assim, talvez venha a
encontrar um pouco de conforto. Mas é claro que existem vários tipos de
relações tóxicas, inclusive  e infelizmente, relações em que há abuso de
diversos aspectos e em que os problemas gerados por elas são ainda mais
catastróficos.
Qualquer que seja o seu caso, a ajuda profissional é a que você deve procurar!

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Closure

Já dizia nossa querida Rachel “I’m over you”. Só que a gente sabe que não era bem verdade. Quem aí já assistiu Friends provavelmente se lembra daquele em que o Ross fica sabendo. Para quem não viu, aqui vai um breve resumo: Rachel tem sentimentos por Ross, mas ele está com outra pessoa. Então ela decide sair com outros para tentar esquecê-lo. Obviamente não funciona e durante o péssimo encontro, o pobre date diz a ela que para superar ela precisa colocar um ponto final nessa história.

Saindo um pouco do contexto da série, eu bem concordo que existem situações, e não somente as amorosas, em que realmente precisamos de um encerramento, de um ponto final. O problema é que nem sempre conseguimos um e isso parece que vai matando nossa dignidade devagarinho. Mas a grande verdade é que confundimos o significado de closure. Temos essa necessidade de querer que o outro saiba que o superamos, mas ainda que consigamos fazê-lo saber, não é isso que realmente nos deixa prontos para seguir em frente. Eu diria, inclusive, que essa vontade nos mostra apenas o quanto não superamos a tal situação.

O ponto final que precisamos vem da gente mesmo. Somente quando você aceita lá no fundo do seu coraçãozinho que algo acabou e que você, não só pode, como vai ser muito feliz mesmo assim é que você, finalmente, consegue colocar um ponto final na história e virar a página para continuar escrevendo os próximos capítulos da sua vida. E tem mais, quando isso acontece, você se dá conta que já não faz diferença o que o outro sabe ou pensa sobre você, porque o seu coração está em paz e é só isso que importa.

4 Rachel Green moments we can all relate to | The Daily Struggle

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Não se esqueça da criança que você foi

Há um tempo atrás eu sonhei comigo. Frase estranha, eu sei, o sonho também foi estranho. Não sei bem o que significou, mas confesso que depois desse dia comecei a gostar mais de mim.

Eu sonhei que eu estava em uma subida (aleatória) e quando chegava lá em cima eu encontrava comigo mesma, mas uma versão antiga de mim. Tão antiga que estava usando o uniforme da escola que eu estudava (Mater Amabilis – ai que saudade ). Quando nos vimos ficamos confusas, porém felizes, muito felizes. Abrimos um belo sorriso e nos abraçamos. Eu sei que estou parecendo louca falando desse jeito, mas eu realmente sonhei isso e eu não consigo explicar qual foi a sensação de estar me abraçando. Eu senti muita coisa, mas a principal foi felicidade. Nossa, tinha tanta coisa que eu queria falar para a minha versão mais nova, mas a única coisa que eu consegui falar foi que eu a amava, ela me disse algumas coisas também, mas eu já não me lembro mais. Lembro que choramos e nos abraçamos de novo.

Eu acordei bem confusa e os sentimentos ainda todos embaralhados. Já faz um tempo que sonhei isso, nunca consegui esquecer a sensação. Já tive muitos sonhos loucos (sério, já sonhei que tinha sido pega por uma máfia japonesa 🤷🏼‍♀️😂), mas nunca tinha sonhado assim e nunca mais sonhei de novo. Foi muito diferente e realmente gostaria de um dia sonhar algo parecido, porque foi incrível. Talvez isso não signifique absolutamente nada rs. Eu acredito que eu estava precisando relembrar um pouco de como a Gabriela de 12/13 anos via o mundo, cheia de inocências e desejos e sonhar foi o jeito do meu subconsciente resolver o problema. Sempre quando me encontro em situações difíceis eu me lembro desse sonho e tomo minhas atitudes pensando que aquela Gabriela sentiria orgulho de quem ela se tornou quando cresceu.

Eu sei que é meio doido, mas quis compartilhar esse acontecimento pois acho que às vezes a gente esquece que a pessoa mais importante da nossa vida é a gente mesmo. É fácil esquecer disso porque a gente não esbarra consigo mesmo por aí. Eu tive a sorte de ter conseguido isso em sonho, mas acho que não é tão comum, então fica o lembrete: cuide-se sempre, coloque-se em primeiro lugar na sua vida, o maior carinho que você pode receber é aquele que você julga merecer, portanto se valorize, não se esqueça da criança que você foi e batalhe o máximo para ser o motivo de orgulho dela, mude de ideia quantas vezes for necessário, mas nunca perca sua essência

O que estou fazendo – Dezembro 2016 | vida organizada

P.S. Se alguém aí já sonhou algo parecido, comenta que vou gostar de saber 😉

Foto autoral – Eu e minha irmã rumo ao primeiro dia de aula no Colégio Mater Amabilis.

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Tem gente que magoa a gente

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Tem gente que magoa a gente e a gente não esquece, mas a gente aprende a seguir em frente. Tem gente que diz que vai mandar mensagem, mas não manda. Tem gente que diz que vai ligar, mas não liga. Tem gente que promete que não vai nos machucar, mas machuca. Tem gente que simplesmente vai embora e você nem entende o porquê.

A gente fica com raiva e procura um motivo, uma explicação. Sinceramente acho que nem sempre tem um motivo e mesmo que tenha, que diferença faz? Se alguém escolheu não estar ali então é melhor que não esteja mesmo. Ninguém merece estar com alguém pela metade. A gente quer falar para o outro tudo que ele fez a gente sentir. A verdade é que o outro tem plena consciência que o que ele faz afeta você e ele faz mesmo assim porque ele não se importa. Dói admitir, por isso ficamos procurando outra razão. Não tem outra razão, o fato é que nem todo mundo vai gostar de você do jeito que você queria. E você tem que aprender a conviver com isso, está tudo bem, não tem problema nenhum. Você não vai morrer por causa disso, mesmo que ás vezes pareça que vai.

Sabe aquela história de tentar sempre encontrar o lado positivo da situação? É irritante, mas é realmente o melhor a se fazer, porque é com a dor que os outros causam em você que você aprende o que você não quer ser. Eu conheci gente que me ensinou o que é rancor, gente que me ensinou o que é egoísmo e gente que me ensinou o que é maldade. E graças a essas pessoas eu sei o quanto eu não quero ser como elas. Estas são coisas horríveis com as quais eu não quero ser relacionada. Eu gosto de pensar que quando alguém lembra de mim, lembra com alegria.

Eu sofri convivendo com algumas pessoas, mas com elas eu amadureci e comecei a analisar melhor tanto pessoas quanto situações e hoje eu digo que já não caio mais nas mesmas armadilhas. Provavelmente ainda cairei em outras diferentes, afinal a vida é assim e eu ainda tenho muito a aprender. Mas o que eu já aprendi é que não importa quantas vezes eu caia, eu SEMPRE vou me levantar mais forte e mais esperta. E, ainda mais importante, eu aprendi a não deixar que esses tombos me deixem mais amarga. Porque apesar de tudo, quando você esbarra em gente boa, você se lembra porque nunca vai desistir, essas pessoas renovam a nossa esperança no mundo e transbordam o nosso coração de amor. E é esse o tipo de pessoa que eu escolhi ser.

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