Se você tiver sorte, aprenderá que sempre mediu tudo errado

Há poucos dias terminei de ler a autobiografia da Michelle Obama e achei sensacional. Recomendo muito a leitura para todos e, em especial, para as mulheres. Acho que nos faz olhar de uma perspectiva diferente para muitos problemas e situações delicadas que nos tocam nas feridas.

Eu poderia fazer um livro sobre os pontos da história que me marcaram. Hoje escolhi falar sobre nossas percepções de vida e importâncias, já falei aqui no Blog sobre como nossos sonhos e desejos mudam de proporção conforme o tempo passa e a vida nos impõe situações inesperadas.

E em um momento da história, Michelle fala que “as crianças aprendem a medir muito antes de entenderem o tamanho ou o valor de qualquer coisa. No fim das contas, se você tiver sorte, aprenderá que sempre mediu tudo errado“. E eu gostei muito disso, pois é exatamente assim que enxergo a vida. Quando crianças temos noções muito abstratas do que poderia ser uma vida melhor. Às vezes um quintal maior ou um cachorro já é a pura definição de felicidade. Conforme vamos amadurecendo vemos (ou às vezes nem percebemos, dada a sutileza das mudanças) nossos sonhos e expectativas mudarem. Diria que eles crescem junto com a gente.

No decorrer dos anos entendemos e conhecemos muita coisa nova e reavaliamos importâncias em nossas vidas. O que realmente importa para você? Parece óbvio, mas não é. Na verdade é muito difícil responder a essa questão. O ideal de plenitude envolve muitos aspectos estarem em harmonia em conjunto e a gente bem sabe que a vida não é um mar de rosas e que tem muita coisa que não depende só da sua boa vontade.

Eu diria que aprendemos a medir certo quando enxergamos que alcançar a plenitude não é fazer malabarismo para conseguir essa harmonia perfeita. É justamente entender que você nem sempre vai estar bem, que não dá para fazer tudo 100% perfeito, nem fazer tudo que você quer ao mesmo tempo.

Saber medir certo é saber medir individualmente cada conquista de acordo com as realidades da sua vida. É saber que comparar sua vida com a do outro não vai te levar a lugar algum, pois cada um tem sua trajetória e o seu tempo. É aprender a respeitar esse tempo.

É saber que às vezes você vai falhar e não entrar em desespero por isso. É aprender a lidar com suas frustrações. É chorar, quando for necessário, mas lembrar de parar depois de lavar sua alma, pois a vida é linda demais para desperdiçar nosso precioso tempo. É aprender com seus erros e tombos e viver em paz, porque você sabe que amanhã o sol nascerá outra vez trazendo novas oportunidades de sucesso para você.

É entender que não adianta se desesperar porque você não vai conseguir acabar com a fome do mundo, mas saber que você pode fazer a diferença na vida de alguém. É fazer o bem para você e para o próximo e usar suas condições e seu poder de alcance (independente de qual seja o tamanho dele) para fazer a mudança que te cabe fazer.

Plenitude não é acertar sempre, é estar feliz com cada escolha que você faz e se orgulhar de tudo aquilo que conquistou. Eu sei que é mais fácil falar do que fazer e sentir realmente, mas aos pouquinhos vamos melhorando e chegando cada vez mais perto.

E você, como anda medindo sua vida?

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