Além dos laços de sangue

A vida é engraçada.
Tem família que é família, porque é família.
Tem família que é família, mesmo não sendo família.
Tem família que a gente ganha.
Tem família que a gente escolhe.
Tem família que é de sangue.
Tem família que é de coração.
No fim das contas, família é só mais um sinônimo do amor.
E eu, por algum motivo, fui abençoada com tanto amor que só me resta agradecer e aproveitar.

17 de Outubro de 2020 – Aniversário da minha segunda mãe, Lúcia

Foto Autoral – Tia Lú e eu. São Paulo – SP/2019.

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Pai

Cresci achando que sua caixa de ferramentas consertaria todas as coisas.
Minhas mãos se parecem com as suas.
Nossos olhos enxergam um mundo parecido, mas completamente diferente.
Achei que pensaríamos sempre igual, descobri que não é assim que funciona.
Seremos a cada amanhã mais parecidos e mais diferentes.
Ambos teimosos, concordando e discordando.
Eu sei que não sou fácil, você também não é.
Se não fôssemos tão parecidos talvez não teríamos tanto talento para discordar um do outro.
No fim, sempre continuamos e continuaremos amigos.
Te amo sempre, quando estou feliz, quando estou brava, quando estamos conversando, quando não estamos, quando você cuida de mim, quando eu cuido de você, quando damos risadas juntos, quando ficamos irritados juntos, quando aprendemos juntos.
Não somos perfeitos, eu puxei tantas das suas qualidades e tantos dos seus defeitos.
Tão apegados e carinhosos, amo nossos abraços, nossas bagunças, cantorias e quando você mata o bicho, pai!
Seu coração é de ouro e esse é o melhor presente que eu poderia ter.
Te amo pai!

13 de Outubro de 2020 – Aniversário do meu papai, Edson, eterno herói

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Mas por que a Alemanha?

Nos meus grupinhos de amizades eu sou a louca do intercâmbio. Sempre que alguém está pensando sobre o assunto ou tem vontade de planejar algo, vem falar comigo. Acho até engraçado, juro que não estou ganhando comissão de nenhuma agência gente (aliás bem que eu queria haha). Mas o fato é que sou apaixonada por essa ideia e acho mesmo que todo ser humano deveria poder ter a experiência de conhecer outros lugares, quaisquer que sejam.

E quem me conhece sabe que eu ainda quero conhecer o mundo todo, mas eu tenho um crush forte na Alemanha. Por que? Eu não sei se eu sei responder essa pergunta. Vira e mexe alguém me pergunta de onde veio esse meu entusiasmo e paixão pela cultura alemã. Eu lembro que na época do ensino médio eu olhava a sala de alemão no centro de línguas do meu colégio e achava o máximo. Sabe aquela coisa de “nossa, eles falam alemão” rs. Mas como fazia o espanhol e o inglês, não cheguei a realmente cogitar a hipótese.

Mas acho que foi aí que começou. A admiração marcou, sabe? Uau, é diferente. Uau, é preciso se esforçar. Uau, é muito bonito. E aí eu meio que fui alimentando essa ideia inconscientemente.

Meu pai trabalhou com táxi durante um período e ele fazia muitas corridas para a livraria alemã Bücherstube, pois era do lado do ponto dele, e também para o próprio Instituto Goethe. Com isso ele fez bastante amizade com algumas pessoas de lá. E ele sempre me falava sobre as conversas que ele tinha com essas pessoas e, de alguma maneira, isso foi aumentando a minha curiosidade sobre o assunto.

Eu comecei a realmente desejar aprender alemão. Não era uma ideia imediata, afinal eu nem julgava que o meu inglês era bom o suficiente ainda. Mas eu sempre comentava com meu pai que gostaria de fazer um dia. Depois de um tempo ele chegou até a ir olhar os preços lá no Instituto, mas era muito caro (para o meu bolso) e eu não estava com pressa, não era algo que eu precisava. Era um sonho para realizar um pouco mais no futuro.

E aí, um belo dia, meu pai pegou uma corrida no táxi de uma senhora alemã, a Frau Inge, e ele comentou sobre essa minha vontade com ela. E, gente, não é que a criatura era professora de alemão? Ela passou o contato dela para o meu pai na mesma hora e disse para eu ligar para ela que ela me daria aulas particulares se eu quisesse.

Confesso que fui pega de surpresa, eu não esperava começar uma nova língua naquele momento. Mas não dava para perder a oportunidade. Quantas vezes o professor simplesmente cai de paraquedas na sua vida? Um preço acessível, do lado de casa e ainda aula particular com uma professora incrível (claro que a parte do incrível eu só descobri depois que comecei as aulas rs).

E assim foi, em meados de 2015 comecei a estudar alemão e desde então não parei mais. Na época eu não sabia nem falar Alemanha em alemão rs. Mas a minha professora foi e é incrível, porque além de me ensinar a língua, ela sempre me ensinou muita coisa da cultura local. Principalmente dos lugares onde ela morou. Eu tenho até uma listinha de lugares que, segundo ela, não posso perder.

Essa é a Frau Inge com seu avental modelito Dirndl super fashion no meu aniversário do ano passado. Ela fez um Apfelstrudel dos Deuses para comemorarmos

Desde então, conheci muita gente, alguns graças a ela, outros pelos meus próprios caminhos, mas o fato é que tenho muito contato com nativos de lá. Então, eu diria que foi um conjunto de acontecimentos que me fizeram sonhar com a Alemanha, mas graças a Frau Inge que eu gostei tanto de me inserir nesse universo da batatolândia.

Hoje eu sou muito grata a ela. Já não faço mais aulas, pois tecnicamente era para eu estar na Alemanha desde maio deste ano (corona atrapalhou os planos, como eu contei aqui), mas ainda temos contato e teremos para sempre no que depender de mim. Ela conquistou meu coraçãozinho e fez eu me apaixonar pelas raízes dela.

Espero muito em breve conseguir, FINALMENTE, desembarcar na terrinha da salsicha. E você que está lendo, se tiver curiosidade sobre essa língua maravilhosa, vá sem medo. Eu sei, ela pode ser meio assustadora kkk mas nada que não dê para encarar e garanto que vale a pena. Eu amo falar alemão

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É preciso falar sobre relações tóxicas

Eu, particularmente, sou uma pessoa que prefere ir de contra partida aos males da vida falando sobre o amor, sobre o bem. Ao invés de focar nos defeitos da sociedade, focar nas qualidades que temos ou que poderemos adquirir se nos direcionarmos para o caminho da luz. Mas existem alguns tópicos que precisam ser abordados mais diretamente.

Algo que tenho aprendido ultimamente é que tudo que causa desconforto as pessoas decidiram rotular como chato ou “politicamente correto demais”. A verdade é que não importa se é chato, tem coisa que precisa ser falada, porque justamente esse bloqueio com tais assuntos é o que faz com que eles ainda sejam um problema tão grande assim. E sinceramente? Se está causando tanto desconforto é porque não é exagero.

Ao contrário do que muita gente associa quando ouve o termo “relação tóxica”, MUITAS vezes não é sobre relacionamento amoroso. Pode ser relacionamento familiar, profissional ou entre amigos. Existe muito tabu e muito preconceito acerca deste tópico e eu acho até difícil de entrar no tema. Pensei bastante antes de resolver falar sobre isso, mas como acredito que quanto mais discussão aberta existir, melhores as chances de causar alguma mudança, senta que lá vem história.

A pessoa tóxica não necessariamente é aquela que todo mundo bate o olho e já percebe que não tem filtro e sai por aí colocando para baixo quem cruzar seu caminho. Dessa eu diria que é até fácil de escapar. O problema está naquela que é um amor, que você vive momentos maravilhosos com ela e que você nunca imagina que um dia poderia vir a te causar algum mal. É ainda mais complicado quando o relacionamento não é amoroso (claro, na minha opinião), porque a grande verdade é que todos nós temos certos degraus até nos abrirmos realmente para alguém. Mas quando se trata de amizades eu acho que somos muito mais abertos e é onde acabamos permitindo mais facilmente que essas pessoas entrem na nossa vida.

Outro ponto extremamente complicado é que nem sempre a pessoa que te puxa para baixo é má ou está fazendo de propósito. Às vezes a pessoa nem percebe o que te fez, está atolada nos seus próprios montes de problemas e complicações. E é muito difícil tomar uma atitude. Mas, eu aprendi que não importa o quanto você queira ajudar, tem coisa que simplesmente não cabe a você. Até mesmo porque, como você vai ajudar alguém se a situação está te consumindo por inteiro? Para ajudar você precisa estar bem também. Você não precisa, aliás não deve, se sentir culpado por se afastar de alguém se essa pessoa está te fazendo mal. A sua saúde mental SEMPRE deverá ser sua prioridade.

Eu entendo o quanto isso pode ser difícil, às vezes você conhece alguém há anos e você sabe que a pessoa é maravilhosa e, de repente, tudo muda. Talvez, por causa de um problema, de um trauma, de uma situação específica, a pessoa muda. Ela entra em uma frequência diferente da sua e, às vezes, você não vai conseguir acompanhá-la.

Se o seu amigo está com problemas psicológicos ou algo do tipo, você pode sim ajudar dando seu apoio, mas dentro daquilo que respeite os seus limites e a relação continue saudável para você. Porque caso o contrário você não estará ajudando seu amigo e ainda estará se auto prejudicando. Problemas psicológicos precisam ser tratados com profissionais, se você não deu conta de “curar” seu amigo, a culpa NÃO É SUA. Você não é psicólogo, psiquiatra e muito menos Deus, essa responsabilidade não é sua. A única coisa que você pode fazer é aconselhar o outro a procurar ajuda profissional.

Quando você está dentro de uma relação assim, por mais racional que você seja, você pode se sentir preso e não conseguir enxergar como sair. Ou até se sentir mal por querer se afastar de alguém que parece “precisar” de você. Por isso é tão importante buscar ajuda, principalmente profissional, mas também buscar diálogo com gente que você confie e que esteja de fora da situação. Nunca se sinta responsável pelo problema do outro, porque tem gente que está afundando e te afunda junto. Eu não estou falando sobre ser egoísta, mas de reconhecer que existem limites. Limites que quando não respeitados podem prejudicar a todos os envolvidos.

Acho que uma das lições mais difíceis da vida é aprender que não é errado se afastar de quem não te faz bem, seja porque a pessoa não é compatível com sua frequência, seja porque ela tem problemas com os quais você não consegue lidar, seja por qualquer razão que te tire da sua essência. Jogue limpo com as pessoas ao seu redor, trabalhe com a verdade, busque a paz para o seu coração SEMPRE e jamais se condene por isso

Nota - Meu foco aqui foi de falar, principalmente, sobre amizades em que um está fazendo
mal para o outro, não necessariamente por maldade, mas por falta de
entendimento dos próprios conflitos internos.
Optei por isso pois é o tópico em que me sinto mais a vontade para falar,
principalmente, por já ter vivenciado situações parecidas em que me vi
totalmente perdida. E se você já viveu ou vive hoje algo assim, talvez venha a
encontrar um pouco de conforto. Mas é claro que existem vários tipos de
relações tóxicas, inclusive  e infelizmente, relações em que há abuso de
diversos aspectos e em que os problemas gerados por elas são ainda mais
catastróficos.
Qualquer que seja o seu caso, a ajuda profissional é a que você deve procurar!

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Sobre conquistar o que já foi conquistado

Essa semana que passou foi uma semana um tanto complicada, não foi? Ou será que fui eu que me deixei levar pelas loucuras que têm acontecido?

Não sei, mas me pego divagando às vezes e saio atrás de conversas que me tragam de volta para o chão e para a sanidade. Sei que não falta gente boa no mundo, mas tem dias que precisamos delas mais de perto.

Eu não acho que vivo em uma bolha, mas vai ver que vivo. Pois ainda me choco quando vejo certas notícias. Estamos em pleno 2020 e o ser humano continua repetindo os mesmos erros absurdos que contradizem os mais básicos direitos humanos. Como isso acontece? O “excesso” de realidade jogado nas nossas caras todos os dias deveriam nos fazer melhores, não piores, certo? Será que é a falta de esperança que levam essas pessoas a continuarem a seguir por esses caminhos? Será que é algum tipo de problema mesmo?

Eu sinceramente não entendo. Tantos livros e aulas de história, tanta tecnologia e informação. Como podemos não estar aprendendo? Como podemos não evoluir? Como podemos continuar repetindo incansavelmente os mesmos erros?

Outro dia, assistindo a série Anne with an E (que aliás, recomendo, é linda!), fiquei tão feliz com o pensamento daquela garota, tão jovem e tão a frente de seu tempo não aceitando as limitações e as podas feitas pela sociedade da época e indo atrás de seus direitos, os conquistando aos poucos. Fazendo pequenas diferenças em seu universo e a sensação de progresso enchendo nossos corações.

Mas aí eu parei para pensar, a série se passa no final da década de 1890. Hoje, em 2020, temos que gritar pelos mesmos motivos que aquela garotinha. Não estou dizendo que não conquistamos nada de lá para cá. Conquistamos muito!!! Mas parece que temos que ficar repetindo todo dia, porque sempre tem alguém que esquece e vêm cheios de ideais totalmente retrógrados. E se deixarmos, nos levam para baixo de novo, nos fazem voltar à estaca zero.

Não nos deixaremos levar nunca e continuaremos gritando até o fim, pois o bem, o amor, o certo (ou como você preferir chamar), sempre valerá o esforço. Eu só vim aqui desabafar, porque eu preciso confessar que, às vezes, é cansativo, sabe? Às vezes, só por um dia ou dois, eu queria que as pessoas lembrassem sozinhas e nós não precisássemos gritar novamente. Eu queria ir para o próximo passo, sem ter que ficar repetindo o anterior. Ir para frente somente. Para mim é tão óbvio, é tão fácil! Por que será que tem tanta gente tentando dificultar nossos caminhos, não é? Eu fico tão feliz quando posso facilitar a vida de alguém de alguma maneira… Será que sou muito sonhadora?

Eu espero que você esteja junto comigo nessa luta e te desejo muita paz no coração sempre, mas principalmente para esses dias mais longos e mais tristes que o normal. De qualquer maneira, já dizia Renato Russo, “espera que o sol já vem” e então, com ele, nossa energia renovada para começar tudo de novo!

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