Brazilian Berry

Eu cresci com essa linda Jabuticabeira no meu quintal. Desde que me entendo por gente conheço a dona Jabuticaba, para mim é tão comum que achei engraçado quando mandei uma foto para minha amiga lá de Hamburgo e ela disse que não sabia o que era.

Fui pesquisar e descobri que lá fora as poucas pessoas que já ouviram falar dessa frutinha, a conhecem como Brazilian Berry, pois é uma fruta nativa aqui do BR e bastante incomum e caríssima em outros lugares. Acredito que, principalmente, por não ser assim tão fácil de consegui-la. Ela é típica da mata Atlântica, leva entre 10 e 15 anos para começar a dar frutos e ainda assim, geralmente, é uma única safra por ano, de agosto a setembro. Digo geralmente porque a daqui de casa pelo menos, às vezes, dá fora de época também.

Aqui em casa antigamente eram dois pés, mas infelizmente um caiu há uns anos atrás em um período com chuvas muito intensas. Uma pena, aquele pé era o que tinha as frutas quase do tamanho de bolas de golfe (não é exagero rs, elas eram absurdamente grandes e bem docinhas).

A que ficou tem frutas menores, mas nem tão pequenas quanto as que vejo pelos mercados. Sempre docinhas e pretinhas, são deliciosas para comer, para fazer doces, sucos e até drinks (misturei com tequila e leite condensado e preciso dizer que ficou sensacional, aprovado!).

Minha mãe tem uma relação de amor e ódio com ela. Ela diz que faz bagunça o ano todo 😂. Quando está dando flor é uma tempestade de pó amarelo; depois vem a fruta que cai e os passarinhos que comem e derrubam tudo no chão; quando acabam-se as frutas, a árvore descasca inteira. É uma bagunça! Bagunça que dá trabalho, mas a gente adora.

A jabuticaba é o símbolo da casa, a família toda vem para comer. Engraçado que aqui tem várias árvores frutíferas, mas a jabuticaba é a queridinha. Ela é linda, tanto na época das frutinhas, quanto na das flores. A minha preferida é a das flores, parecem pompons amarelos. Ela fica tão cheirosa e atrai tantas abelhas que de dentro de casa dá para ouvir o zum zum delas. É a coisa mais linda do mundo!

A gente fala tanto sobre tesouros nessa vida e eu tenho um no meu quintal há tanto tempo e nem tinha me dado conta. Acho que fica aí a lição de prestarmos mais atenção ao nosso redor e darmos mais valor as pequenas grandes coisas da vida. Eu aqui no meio de toda essa loucura de SP, tenho meu pequeno paraíso no quintal.

E você? Gosta de jabuticaba?

Fotos autorais, tiradas no quintal de casa. São Paulo – SP/2020.

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Eu amo São Paulo com toda a sua loucura!

O que é ser paulistano?

É comer BOLACHA, pizza SEM catchup, pastel com caldo de cana na feira de manhã, coxinha, lanche, tomar uma breja e ir na padoca; é andar rápido e estar sempre com pressa; deixar a esquerda livre; pouca paciência; muito trânsito; muita gente; roupa social; dois empregos e corre para a faculdade a noite; metade do dia no trânsito e outra metade trabalhando; estresse e gastrite; filas e mais filas; passear na paulista; ir para o Ibira; quatro estações do ano no mesmo dia; não tenho sotaque; tipo, meu, mano e tá ligado? (inclusive mais do que eu gostaria, mas o hábitozinho difícil de se livrar); opção para tudo 24h por dia; multipluralidade cultural; falar mal da cidade, mas defender com unhas e dentes quando alguém de fora fala.

“Paulistano é aquele cara que acorda cedinho, atrasado, escova os dentes, toma banho rápido, confere as notícias passando pelo Instagram, Twitter, Facebook, envia mensagens pondo seus posts nos três ao mesmo tempo. Sai com pressa, corre para o carro sem verificar a placa de rodízio, levando cinco multas até chegar ao seu destino.”
Tom Cavalcante

“Quando estamos cansados de estresse, trânsito, fila e resolvemos passar o feriado no Guarujá, que é a mesma coisa, mas com chuva.”
Mauricio Meirelles

“É ter um país inteiro dentro de um país inteiro… Poder comprar de um alfinete a um navio… ouvir música de um realejo ou de uma orquestra internacional… Comer um pastel de feira ou jantar num restaurante cinco estrelas… Do malabarista no farol a um musical da Broadway…”
Marcelo Mansfield

Aos amantes de São Paulo eu peço perdão, porque acho que poucas pessoas já falaram tão mal dessa cidade quanto eu. Antes de qualquer coisa, acho importante dizer que sou meio reclamona mesmo, sou meio impaciente e infelizmente tenho esse defeito (que tento sempre melhorar, mas confesso que ainda está longe de estar bom). Mas a verdade é que se eu reclamo é porque eu gosto ou no mínimo significa algo para mim, porque o que eu não gosto eu não perco muito tempo prestando atenção.

Sempre encontrei dez mil e um defeitos na cidade. Não consigo chegar em lugar nenhum em menos de meia hora e acredite quando digo que meia hora é muito rápido, geralmente perco muito mais tempo no trânsito em distâncias pequenas. E isso ainda considerando que tenho o privilégio de ter um carro, porque me lembro da época em que fazia baldeação na estação da luz às sete da manhã. Sério às vezes dava vontade de chorar. Eu nunca deixava de me impressionar com o fluxo de pessoas naquele lugar. É surreal, eu nunca verifiquei as estatísticas de fluxo do metrô, mas acredito que sejam números absurdos. O que me leva a outro tópico, excesso de gente. Sempre achei que tem gente demais nessa cidade, estamos super saturados, não consigo encontrar um único metro quadrado sem uma pessoa.

No entanto, uma vez participei de um processo seletivo em que a moça do RH veio de alguma cidade do sul para aplicar uma dinâmica de grupo nos candidatos. Com o perdão da expressão, ela chegou dando um tapa na minha cara (no sentido figurado, claro rs). Ela fez um super discurso para todos os candidatos de como éramos privilegiados de morar aqui, que o pessoal de fora sempre sonha em vir para cá, porque aqui é onde tem as maiores oportunidades, porque quando alguém é promovido fica conhecido como “o cara” que está indo para SP e coisas do gênero. Sinceramente, não concordo 100% com tudo que ela disse, principalmente porque o mercado vem mudando bastante ultimamente, mas sou obrigada a admitir que realmente esta cidade é rica em oportunidades de todos os tipos e eu nem sempre dei valor a isso.

Dito tudo isso, a verdade é que quanto mais eu leio sobre paulistanos mais eu ME vejo. Eu diria que só no último ano eu percebi que eu sou 110% paulistana, tanto nas qualidades quanto nos defeitos (infelizmente). A lista que eu fiz no começo do texto? Check em tudo! E o que mais me fez perceber isto foi uma conversa que tive com um professor de inglês. Ele veio da Nigéria e estava morando no Brasil há pouco mais de um ano, mal falava português, mas é completamente apaixonado pelo nosso país. E uma vez conversando sobre transporte eu comentei que entre metrô e ônibus eu preferia o metrô, porque era bem mais rápido e ele não entendia duas coisas:

  1. Por que preferir andar no subterrâneo se você tem a opção de andar por cima do chão e admirar a cidade?
  2. Por que você quer chegar mais rápido? Para que toda essa pressa?

Para a primeira questão eu disse que concordava que era melhor poder ver a paisagem, a cidade e a luz do dia ao invés da escuridão do metrô, mas que eu abria mão disso facilmente para chegar mais rápido. E gente, o homem não me entendia, eu não consegui explicar para ele porque eu tinha pressa. Ele me perguntava qual a diferença de demorar uns minutos a mais e eu falava que não gostava de chegar atrasada e ele replicava dizendo que era só sair mais cedo. Eu confesso que achei a discussão muito engraçada, pois ele não conseguiu entender minha pressa e eu, apesar de entender o que ele disse e até achar que ele deve aproveitar a vida melhor que eu, ainda continuo apressada. Encerramos o assunto com ele concluindo que “eu sou bem paulistana mesmo”.

Confesso que depois desse dia eu comecei a olhar para as coisas de um jeito diferente, tento melhorar tudo que pode fazer minha vida mais prazerosa (como admirar a paisagem da nossa selva de pedra), mas mesmo com meus defeitos percebi que tenho muito orgulho de ser paulistana. Nunca morei em outro lugar e não vejo a hora de experimentar. É um sonho antigo meu. Mas mesmo que eu acabe gostando de outro lugar e não voltando para me fixar por aqui, eu sempre guardarei com carinho a minha querida cidade, que já me irritou tanto, mas que também foi onde eu vivi os melhores momentos da minha vida até hoje. Digo com orgulho que sou paulistana raiz, porque no fim somos tão loucos quanto a cidade e a amamos muito.

Algumas fotinhos para quem ainda não teve o prazer de conhecê-la e para matar a saudade de quem já teve 😉 :

Ponte Octávio Frias de Oliveira – a famosa ponte estaiada
Museu de Arte de São Paulo – MASP
A mais paulista das avenidas
Parque Ibirapuera
Catedral da Sé
Sala São Paulo
Teatro Municipal
Mercado Municipal
Edifício Itália
Farol Santander
Pinacoteca de São Paulo

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