Somos mais do que mil, somos um

Outro dia fiz uma enquete nos stories do meu Instagram. A pergunta, que estava circulando em várias redes sociais, era simples: “se você pudesse acabar com o corona, mas a consequência fosse voltar para o dia 1º de janeiro, apagando todas as memórias e as pessoas que você conheceu nesses meses, você aceitaria?”.

Eu sei que a situação é totalmente hipotética e impossível, mas ainda assim fiquei chocada quando o resultado foi de 46% dos votos para o “não“. Talvez justamente por não ser uma opção possível a galera não tenha pensado direito para responder. Ou será que não? Não sei, mas me fez refletir sobre as ações e escolhas da atualidade.

Eu sempre digo que devemos nos colocar em primeiro lugar na nossa vida. Não é ser egoísta pensar no seu bem-estar primeiro, sua saúde mental e amor próprio são realmente importantes. Mas acho que talvez a grande repetição desse discurso tenha feito o pessoal se perder na interpretação de texto. Porque uma coisa é estabelecer prioridades para o seu bem e outra bem diferente é colocar a sua vida e felicidade acima de qualquer coisa/pessoa.

Em algum momento no meio do caminho nós perdemos a noção do coletivo. Com todo esse papo de olhar para si mesmo, tem gente esquecendo de olhar para além de si mesmo. Que é essencial também, é via de mão dupla. Um não funciona se o outro não funcionar. Cuidar de si não é esquecer de todo o resto. Cuidado! O mundo pode se tornar um lugar perigoso quando olhamos apenas para o nosso próprio umbigo. O bom senso deve guiar nossas decisões e não as “certezas absolutas” e as frases prontas que encontramos pelas redes sociais.

Eu acredito de coração que a maioria das pessoas, se não todas, que responderam “não”, não fizeram por maldade ou por não se importarem com as vidas perdidas em meio a esse caos em que nos encontramos. Era só uma questão hipotética que alguém criou, provavelmente só para causar polêmica mesmo. Talvez eu nem deveria ficar encucada com algo que nem é possível, mas, já que foi colocado em pauta, acho que vale lembrar que somos apenas uma parte de um todo. Não tem um mais importante que o outro, nossa importância é a mesma e precisamos de união para viver bem. Juntos somos mais fortes.

O amor próprio é maravilhoso, mas o coletivo é tão indispensável quanto. Seja amor, ame o próximo e o mundo será feito de amor também. Nós estamos precisando muito!

Mesmo quem já morreu, quem você nem conheceu, nos segue, pois nós somos um!
Na alegria ou na dor nossa força é o amor.
É só ver para crer, somos um!

Numa só direção temos um só coração.
Somos como a Terra e o céu. Uma família sob o sol.
Não temos mais medo algum.
Você vai conseguir a coragem pra seguir, então vai descobrir, somos um.

Trecho traduzido da Música “Somos Um – O rei leão” – Elton John/Tim Rice.

Foto Autoral – Pirassununga, SP/2020.

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26 comentários sobre “Somos mais do que mil, somos um

  1. Bom dia Gabriela…nossa texto bem sério,complexo que tem que ler mto bem para entender …mas minha opinião sobre é que eu iria gostar mto de ter o poder,meios de acabar de vez com esse vírus,voltar para o início talvez sim…salvando todas as vidas que foram acometidas por esse mal que assola a humanidade claro que sim..ainda que nao as conheci sao mtas e mtas sao vidas..são irmãos…e ter a compania dos que tive a oportunidade de conhecer no caminho dessa loucura toda acho que e questao de escolhas…e sei que acabando com esse mal..todos inclusive esses novos conhecidos tambem estariam salvos!😊
    Mesmo que nao estando em minha vida eles estariam bem e isso é o mais importante ..as vezes o que importa e abrir mao de nós por todos.
    Fica c Deus..abraco fraterno!!

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    • Bom dia, Renata!!
      Confesso que o texto foi meio que um desabafo.
      Adorei sua conclusão, o bem maior às vezes exige sacrifícios individuais.
      Você também, querida!
      Abraços e obrigada pela visita 😘🌺

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  2. Teu texto diz muito sobre nós tanto em nível individual quanto coletivo. É muito denso o teu sentimento e olhar para o que estamos vivendo. Há vários aspectos que, em ambos os sentidos-individual e coletivo- que se colocam dentro de um contexto que não podemos esquecer. O caráter individual é importante para a partir disso ser criada consciência capaz de chegar ao coletivo. Talvez aqui falte líder que faça um todo caminhar no sentido de todos e não de poucos. O vírus traz em seu cerne o espírito da guerra, das perdas, do combate incessante para que não se alastre e domine nossas vidas. Mas, sim, é com um procedimento individual, de cuidado, responsabilidade, consciência que o coletivo será sensibilizado, que então poderemos honrar tanto aqueles que estão na linha de frente do combate quanto aos que partiram. Eles merecem isso de nós. A cainhada se faz assim, se agora não posso voltar e salvar quem partiu posso oferecer minha consciência para ajudar a salvar quem ainda está aqui. Todos os dias honro quem nos deixou, porque também o fizeram para que ficássemos. E, Gabriela, tudo o que mais desejo é que possamos todos nós estarmos juntos na mesma direção independente de diferenças até porque não existe diferença alguma entre nós em momentos assim. Juntos somos mais fortes. Não vou me alongar , porém teu texto é de extrema relevância para os dias de hoje e futuro. Muito obrigado por tanto que ofereces com sensibilidade e amor à humanidade. Beijo e abraço, querida Gabriela.❤️💕☮️💐🙏🏻

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    • Eu que gradeço, Fernando!
      Acho que a falta de uma lidernça sensata tem pesado muito, mais que nunca, para enfrentarmos isso de uma maneira mais saudável.
      E tenho tentado fazer o máximo para preservar tanto a minha vida quanto a dos outros.
      Também desejo muito querido, espero que essa caminhada agora já esteja mais perto de seu fim.
      Grande abraço 💋🌺❤️

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  3. Gabi, seu texto me fez parar para refletir!
    Não sei bem o que passou na cabeça de quem selecionou o não, mas sabe quando você acaba de subir uma longa escada e descobre que esqueceu alguma coisa lá embaixo? Creio que tenha sido mais ou menos assim…
    Voltar no tempo pareceu tão surreal que a primeira impressão foi: “tudo de novo não!”. Por outro lado, vem a parte que você tratou, de um coletivo em segundo plano, infelizmente. Quando, em verdade, a vida é muito mais feliz quando todos trabalham em conjunto para o bem de todos.

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    • Pode ser, Lara. A verdade é que realmente difícil né, porque foram tantas variáveis, tantos momentos e situações. Acho que não existe o certo ou o errado, mas às vezes escolhas muito diferentes da sua realidade podem te chocar um pouco.

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  4. Gabriela: Grande es tu pensamiento y tu corazón por colocar este breve polémica a tus lector@s. Por mi parte, lógicamente, diría que NO y la razón es evidente: El intercambio planteado entre salvar vidas (Cercanas o lejanas, pero valiosas todas) y perder la memoria exige de nosotros 2 comodidades en disputa, con la inexorable victoria de la memoria. Siempre. La memoria es la sustancia del aprendizaje, del desarrollo y aún de la existencia misma. Sin memoria, tú misma no serías Gabriela, en todo sentido. Mejor aún: No podrías perpetuar ni tus raíces ni tus frutos, ni tu pasado ni tu futuro. En abstracto: Epidemias nos han azotado antes y el valor de nuestra memoria frente a ellas -también, desde luego, frente a su tarifa de fallecidos- fue combatirlas, vencerlas e incluso erradicarlas; es decir, ni más ni menos que nuestra supervivencia. Diría que NO porque perderíamos, no sólo la memoria (temporal) de 2020, sino las lecciones que esta tragedia global nos impartió dolororamente, cualesquiera que fuesen. NO, porque nos mantendríamos permanentemente indefensos, sorprendidos; porque el peligro, en vez de real, sería siempre potencial, siempre amenazante, sepámoslo o no. NO porque con la memoria, guardamos eternamente las vidas que se perdieron para que otras continúen. Abrazo, Gabi y felices fiestas

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    • ¡Muchas gracias Alejandro!
      No estoy en desacuerdo con lo que dijiste. De hecho, si miramos la historia, cada avance importante provino de grandes pérdidas o grandes momentos difíciles. Entiendo que esto tiene sentido, pero si realmente retroceder en el tiempo era una posibilidad real, confieso que creo que no podría no hacerlo. Creo que mi corazón no es tan racional después de todo. Quizás fue algo bueno que no elegí el camino de la medicina a seguir.
      Pero dado que la realidad en la que nos encontramos es esta, podremos aprender las lecciones adecuadas de todo lo que sucedió y ser mejores a partir de ahora.
      Abrazo y felices fiestas para ti también 💋🌺❤️

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  5. Penso em duas hipóteses para disse não (e não falo de egoísmo) – 1. A pessoa realmente diz não por saber que é algo impossível de ocorrer; 2. Caso desse para voltar, quem sabe não teríamos algo do estilo efeito borboleta, onde efeitos em cascata poderiam acarretar em coisas ainda piores… Posso ter viajado longe agora, mas são só idéias!

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    • Agora você foi longe rs
      Realmente, aí estaríamos falando do completo desconhecido, onde a realidade poderia vir a ser muito pior.
      E também não acho que escolher o não seria egoísmo. Acho que até faz sentido quando pensamos na evolução que toda grande luta que enfrentamos nos trás, mas nessa hora quando falamos de milhões de vidas meu coração fala mais forte.

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  6. Eu não vejo os stores, por isso não vi sua enquête. Pergunta difícil de ser respondida.
    Eu só tive uma alegria este ano, e por essa alegria faria o sacrifício de passar por todas as tristezas. Isso é amor. Pelo sonho realizado do meu filho passaria por todo o sofrimento q me causaram, por toda a desesperança, pela quase depressão. Só por ele.
    Ele salvou o ano para mim.

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    • Também acho muito difícil. Eu entendo muito esse seu sentimento. Se fosse para enfrentar as minhas dores, eu acho que também não escolheria voltar. Mas quando penso no geral, em todas as vidas que foram perdidas, eu tenho um bloqueio, acho que não conseguiria não escolher esse caminho.
      Mas como nada disso é realmente possível, a gente fica só com as especulações né? Porque vai saber o que a gente realmente faria e sentiria se fosse uma opção de fato.
      Abraços, querida e que ano que vem seja melhor, você se sinta ótima e que seja um ano cheio de alegrias para você e seu filho 💋🌺❤️

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  7. Interessante essa pergunta, Gabi. E confesso que talvez eu fosse uma das pessoas do “não”. E digo em relação à quebra de paradigmas que tivemos esse ano, como pudemos perceber que todas as estruturas estão fracassadas. No meo de todo caos que está sendo 2020, eu consegui me transformar e pensar nas minhas ações em prol do coletivo. Acredito que muitos dos “nãos” tem a ver com as novas visões que todo o caos trouxe, não vejo como egoísmo… beijos!!

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    • Sim, como disse para o Alejandro, quando analisamos a história, todas as grandes conquistas e avanços (tanto científicos quanto pessoais) vieram de momentos difícieis e de grandes perdas.
      Acho que nesse caso em específico meu coração falou mais alto que minha razão por conta dos números mesmo, sabe?
      Uma coisa é quando você lê no livro de história sobre milhões de mortes que ocorreram há anos atrás, outra bem diferente é ver com os próprios olhos agora. Não acho que exista certo ou errado aqui, qualquer escolha traz um ganho e uma perda, mas quis fazer um lembrete da importância do coletivo. Acho que o mundo tem precisado.
      Beijos, Nic 💋🌺❤️

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    • Dá mesmo, confesso que depois que levantei o tema já várias pessoas me trouxeram posições sobre as quais eu não tinha pensado antes. Por isso gosto de debater, às vezes, aquilo que pode parecer algo ruim na verdade não é. A gente acaba aprendendo muito.
      E agora, com as vacinas e tudo, acho que já estamos bem mais perto de começar a melhorar de fato, pelo menos assim espero 🙏🏻❤️

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  8. Fiz uma pausa e voltei a ler-te porque eu acho que esse vírus é obra nossa, do nosso egoísmo e do nosso pouco causo com os outros, a vida. É o resultado direito do que nos tornamos. E seria uma grande chance para todos, parar e refletir e repensar. Mas, não é o que está a acontecer. A maioria segue agindo por si. Em busca de diversão, prazer. Como se nada acontecesse no mundo. Tudo atinge ao outro e não a nós.
    Se fossemos realmente por nós, o sentimento maior, acho que faríamos a nossa parte pelo menos. Mas, não é o que temos feito.

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    • Fico feliz que tenha voltado, Lunna!
      Desde o começo temos enfrentado esse descaso da maioria, mas esses últimos meses parece que até quem estava tentando, desistiu. Não sei se é impressão minha por já estar saturada de ver o rumo que estamos tomando ou se realmente tem piorado mesmo…

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