É preciso falar sobre relações tóxicas

Eu, particularmente, sou uma pessoa que prefere ir de contra partida aos males da vida falando sobre o amor, sobre o bem. Ao invés de focar nos defeitos da sociedade, focar nas qualidades que temos ou que poderemos adquirir se nos direcionarmos para o caminho da luz. Mas existem alguns tópicos que precisam ser abordados mais diretamente.

Algo que tenho aprendido ultimamente é que tudo que causa desconforto as pessoas decidiram rotular como chato ou “politicamente correto demais”. A verdade é que não importa se é chato, tem coisa que precisa ser falada, porque justamente esse bloqueio com tais assuntos é o que faz com que eles ainda sejam um problema tão grande assim. E sinceramente? Se está causando tanto desconforto é porque não é exagero.

Ao contrário do que muita gente associa quando ouve o termo “relação tóxica”, MUITAS vezes não é sobre relacionamento amoroso. Pode ser relacionamento familiar, profissional ou entre amigos. Existe muito tabu e muito preconceito acerca deste tópico e eu acho até difícil de entrar no tema. Pensei bastante antes de resolver falar sobre isso, mas como acredito que quanto mais discussão aberta existir, melhores as chances de causar alguma mudança, senta que lá vem história.

A pessoa tóxica não necessariamente é aquela que todo mundo bate o olho e já percebe que não tem filtro e sai por aí colocando para baixo quem cruzar seu caminho. Dessa eu diria que é até fácil de escapar. O problema está naquela que é um amor, que você vive momentos maravilhosos com ela e que você nunca imagina que um dia poderia vir a te causar algum mal. É ainda mais complicado quando o relacionamento não é amoroso (claro, na minha opinião), porque a grande verdade é que todos nós temos certos degraus até nos abrirmos realmente para alguém. Mas quando se trata de amizades eu acho que somos muito mais abertos e é onde acabamos permitindo mais facilmente que essas pessoas entrem na nossa vida.

Outro ponto extremamente complicado é que nem sempre a pessoa que te puxa para baixo é má ou está fazendo de propósito. Às vezes a pessoa nem percebe o que te fez, está atolada nos seus próprios montes de problemas e complicações. E é muito difícil tomar uma atitude. Mas, eu aprendi que não importa o quanto você queira ajudar, tem coisa que simplesmente não cabe a você. Até mesmo porque, como você vai ajudar alguém se a situação está te consumindo por inteiro? Para ajudar você precisa estar bem também. Você não precisa, aliás não deve, se sentir culpado por se afastar de alguém se essa pessoa está te fazendo mal. A sua saúde mental SEMPRE deverá ser sua prioridade.

Eu entendo o quanto isso pode ser difícil, às vezes você conhece alguém há anos e você sabe que a pessoa é maravilhosa e, de repente, tudo muda. Talvez, por causa de um problema, de um trauma, de uma situação específica, a pessoa muda. Ela entra em uma frequência diferente da sua e, às vezes, você não vai conseguir acompanhá-la.

Se o seu amigo está com problemas psicológicos ou algo do tipo, você pode sim ajudar dando seu apoio, mas dentro daquilo que respeite os seus limites e a relação continue saudável para você. Porque caso o contrário você não estará ajudando seu amigo e ainda estará se auto prejudicando. Problemas psicológicos precisam ser tratados com profissionais, se você não deu conta de “curar” seu amigo, a culpa NÃO É SUA. Você não é psicólogo, psiquiatra e muito menos Deus, essa responsabilidade não é sua. A única coisa que você pode fazer é aconselhar o outro a procurar ajuda profissional.

Quando você está dentro de uma relação assim, por mais racional que você seja, você pode se sentir preso e não conseguir enxergar como sair. Ou até se sentir mal por querer se afastar de alguém que parece “precisar” de você. Por isso é tão importante buscar ajuda, principalmente profissional, mas também buscar diálogo com gente que você confie e que esteja de fora da situação. Nunca se sinta responsável pelo problema do outro, porque tem gente que está afundando e te afunda junto. Eu não estou falando sobre ser egoísta, mas de reconhecer que existem limites. Limites que quando não respeitados podem prejudicar a todos os envolvidos.

Acho que uma das lições mais difíceis da vida é aprender que não é errado se afastar de quem não te faz bem, seja porque a pessoa não é compatível com sua frequência, seja porque ela tem problemas com os quais você não consegue lidar, seja por qualquer razão que te tire da sua essência. Jogue limpo com as pessoas ao seu redor, trabalhe com a verdade, busque a paz para o seu coração SEMPRE e jamais se condene por isso

Nota - Meu foco aqui foi de falar, principalmente, sobre amizades em que um está fazendo
mal para o outro, não necessariamente por maldade, mas por falta de
entendimento dos próprios conflitos internos.
Optei por isso pois é o tópico em que me sinto mais a vontade para falar,
principalmente, por já ter vivenciado situações parecidas em que me vi
totalmente perdida. E se você já viveu ou vive hoje algo assim, talvez venha a
encontrar um pouco de conforto. Mas é claro que existem vários tipos de
relações tóxicas, inclusive  e infelizmente, relações em que há abuso de
diversos aspectos e em que os problemas gerados por elas são ainda mais
catastróficos.
Qualquer que seja o seu caso, a ajuda profissional é a que você deve procurar!

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20 comentários sobre “É preciso falar sobre relações tóxicas

  1. Sumamente interesante, Gabriela. El problema del principio de la honestidad ante todo y de los límites a la apertura suele ser nuestra propia conciencia: Distinguir si hacemos lo correcto no en relación a nuestros estándares si no a los ajenos. Como bien señalas, se complica aún más al tratarse de seres queridos; pero la asertividad que describes continúa siendo la mejor solución. Abrazo desde Villahermosa, México

    Curtido por 2 pessoas

  2. Assunto importante e difícil. Conheço algumas pessoas que relutaram bastante em deixar ir pessoas que faziam mal a elas. Eu nunca tive dificuldade nesse sentido… nunca apreciei o verbo ficar. Foi um longo trabalho até permitir esse engate de mãos e o caminhar lado a lado. Sou um ser anti-social desde a infância. Gosto de observar, mas não de fazer parte.
    Acho que os dois lados são complicados. Aprender a deixar ficar e a deixar ir, seja por qual motivo for não é nada fácil.

    belo texto… grata pela reflexão.
    bacio

    Curtido por 3 pessoas

    • Eu que agradeço a visita e o comentário, Lunna!
      Eu acho curioso como cada um, a sua maneira, tem uma dificuldade diferente quanto a esses assuntos de aproximação.
      Realmente não é fácil, tanto para quem precisa aprender a deixar ir quanto para quem precisa, simplesmente, deixar ficar. Mas vamos aprendendo, não é?

      Abraços 💋🌺💕

      Curtido por 1 pessoa

  3. Nossa, que cacetada! Esse é um ponto muito delicado mesmo, e creio que somente com maturidade e até mesmo amor próprio e pela pessoa que precisa de ajuda conseguimos nos afastar sem maiores estragos. Já vivi esse tipo de situação e caí fora por um tempo. Mas, se a amizade realmente é verdadeira, um dia ela volta, as coisas entram nos eixos na hora certa.

    Curtido por 3 pessoas

    • De alguma maneira, o velho clichê é verdadeiro: tudo tem o seu tempo. As relações também com uma diferença por se tratar de pessoas: maturidade, compreensão, consciência, … em geral, faço o que é preciso até onde é possível e depois, bom, não deu certo então cada um segue seu caminho. Vale o mesmo em relação do outro a mim. Confesso que enfrento isso com tranquilidade e procuro passar isso para o outro lado sem nunca fechar a porta em definitivo. Um texto muito importante e reflexivo. Um abraço carinhoso e cuide-se bem.❤️💐

      Curtido por 2 pessoas

    • Muito obrigada, Fernando!
      Eu confesso que nem sempre soube como lidar muito bem com esse tipo de situação. Hoje já acho mais fácil e entendo melhor sobre os limites que precisamos nos dar.
      Mas é isso, vivendo e aprendendo sempre!
      Grande abraço, querido. Cuide-se sempre 🌺💕

      Curtido por 1 pessoa

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